Publicado em 14 de Maio de 2020

Estou levando a vida de forma automática?

Um dia nada qualquer…

As primeiras palavras que eu escutei hoje foram bom dia. E como isso muda o dia. Eu não escutava faz tempo, estou acordando em um horário totalmente diferente que todas as pessoas da minha casa. 

Como de costume encho o tanque do carro as sextas. Saio 4h40 e acelero. 

Entrei no posto, dessa vez, simplesmente para abastecer o suficiente. Já estava um pouco atrasada. Com o vidro do carro já abaixado as presas, o mesmo deu de cara com o frentista mascarado.

Mascarado não. Despido. Humano.  Eis que “BOM DIA”. 

Já toda agitada, às 4h45, debruçada sobre a alavanca da tampa de combustível e soltando pelos cotovelos “20 de álcool por favor”. Escuto aquilo e paro. 

Respiro bem fundo, olho para o frentista aliviada. 

BOM DIA, moço. 

Ajo naturalmente. Mas em mim tenho a sensação de que nao escutava ha muito tempo um “óla” tao caloroso como aquele. Afinal nem tem como, nao vejo ninguém ate chegar no trabalho e eu sou a primeira pessoa a dizer e escutar essas palavras. 

Taí, quando ouvi esse cumprimento eu sabia que o meu dia seria diferente. Sabia que amanheceria calmo, sereno. Só porque aquele homem, que talvez eu nunca mais veja, teve a paciência, o zelo de me dizer duas palavras. 

Voltando um pouco a historia. Ao terminar de colocar o combustível, o moço me pergunta: você tbm está usando essa coisa? Apontando para o pano que protegia seu rosto contra possíveis contaminações. Eu sorri, e disse: claro, exceto para dirigir. É importante moça. Você sabe que eu já peguei e quase morri? 

Me entristeci por um minuto e agradeci por sua vida. Trocamos mais uma dúzia de palavras, mas o dever chama. O agradeci e mais uma vez ele me desejou um caloroso BOM DIA. Desejei o mesmo e disse “muito obrigada”. Nesse muito obrigada, ele nem imaginava quanta gratidão eu senti.

Até breve, Ju.

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Juliana Garcia

Quando paro para escrever sobre mim é sempre um desafio, porque estamos em constante mudança e nos últimos anos tenho passado por muitas. Mas certas coisas permanecem iguais, não é mesmo? Então, eis algumas verdades sobre a Juliana Garcia. Sabe aquelas crianças "sonhadoras"? Sou uma delas, tenho até uma tatuagem escrito "rêveuse" – tradução da palavra francesa -, amo pensar que o mundo um dia será bom por completo, que poderei trabalhar como apresentadora de TV, viajar ao redor do mundo sem preocupações e manter um projeto bacana com amigos ao meu lado. E não é que o Rua 6 já consegue fazer isso por mim. É uma aventura e tanto.