Publicado em 24 de jan de 2020

Aprendi a andar sozinha. Agora quero andar junto.

Sabe aqueles filmes caseiros antigos que você assiste e pensa “saudade dessa época”? Tenho dito tanto isso ultimamente. Não porque deixei de ser grata por tudo que eu construi até hoje, mas daquilo que não pude manter comigo pertinho. Família.

2019 foi um ano de mudanças estruturais. Meu pai ficou ainda mais doente, minha mãe deixou de fazer seus passeios comigo, irmã se mudou para os EUA, irmão mesmo perto se distanciou…até minha cachorrinha perdeu um pouco da alegria que expressava no rabinho quando nos via.

Acho que o choro que caiu de mim no dia da despedida de minha irmã previa esse fim do que eu sempre mais amei. Acordar aos finais de semana e ter a quem perturbar. Ter meu pai aconselhando as mesmas coisas toda vez. Dividir o quarto com uma companheira de risadas, brigas e conversas. Conversas…que saudade eu tenho de ter uma conversa sobre como estou, escutar o dia de alguém, dar conselhos.

Está tudo bem! Seria egoísmo da minha parte dizer que nada aprendi nessa reviravolta. Poxa, como eu aprendi. Principalmente a estar sozinha. Note: estar, não ser. Mas, sinceramente, estou cansada de fazer tudo por conta. Baita saudade de ter companhia para ir ao supermercado e soltar a frase “queria que Yakult vendesse em litro”. Vai dizer que você também não gostaria de um Yakultão? kkkk.

A vida é feita de fases, aprendemos isso logo quando pequenos e plantamos um pé de feijão na escolinha. Cabe a nós cuidarmos de cada etapa, não importa o quão complicada ela pareça ser. Tire lições. Ria dos desastres. Aproveite o que der. Relembre o que conseguir. E assim fica uma mensagem para mim e você: a próxima página você que escreve, o destino se comunica com o futuro, mas você faz parte do presente.

Até breve, Ju.

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Juliana Garcia

"Quando paro para escrever sobre mim é sempre um desafio". Essa frase me acompanha há tempos, porém descobri com o tempo que ainda estou em busca de quem sou, me perdi, me perco no caminho da vida e estarei tentando me achar. Quem aqui estiver, espero que desfrute da jornada comigo e que em algum momento se deixe vulnerável o bastante para sentir. Afinal o sentimento é o que nos torna humanos, não?! Aquilo que vem de dentro quero abraçar, seja o detalhe da alegria, dor, faz tudo parte da caminhada que o coração, corpo e mente expõem. Se aprendi uma coisa, principalmente após meu pai ser diagnosticado com uma doença rara (ELA), é que o corpo humano é maravilhoso e conviver com ele está para lá de ser algo fácil, então seja qual for o momento da vida quero poder gritar o que penso, sem regras e pontos. Se for preciso pontos que sejam os meus. Até breve, Ju.